segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Encoleiramento de cães será avaliado pelo Ministério da Saúde

Encoleiramento de cães será avaliado pelo Ministério da Saúde como
ferramenta para a prevenção da leishmaniose

Autoridades do Ministério da Saúde anunciaram que, em 2011, avaliarão
o encoleiramento em massa de cães como medida de controle da
leishmaniose visceral. Inicialmente, serão selecionadas de 6 a 10
cidades endêmicas, onde os índices da doença são elevados tanto em
cães quanto em humanos, para distribuição gratuita de coleiras
impregnadas com deltametrina a 4%, princípio ativo repelente e
inseticida, recomendado pela Organização Mundial da Saúde como forma
de controle da doença.

A decisão foi anunciada em audiência agendada, no Ministério da Saúde,
para a entrega de documento que reivindica a inclusão do
encoleiramento em massa no programa federal contra a Leishmaniose
Visceral Americana. Subscrito pela presidente da UIPA (União
Internacional Protetora dos Animais) Vanice Orlandi, pelo coordenador
do Projeto Focinhos Gelados Fowler Braga, e pelo deputado Federal
Ricardo Tripoli (PSDB/SP), o documento foi dirigido ao Secretário da
Vigilância Sanitária Gérson Penna, e entregue à diretora de Vigilância
Epidemiológica Dra. Carla Magda Domingues e à coordenadora de
Vigilância das Doenças Transmitidas por Vetores e Antropozoonoses Dra.
Ana Nilce Elkhoury.

Ao contrário da política adotada pelo Ministério da Saúde como única
alternativa possível ao controle da doença - a eutanásia, a presidente
da UIPA, Vanice Orlandi, explica que a prevenção é a principal arma
existente. "A eutanásia é pouco aceitável e tem baixa eficiência
devido à alta taxa de reposição dos cães. Está provado por estudos
científicos que, com essa medida, a incidência de leishmaniose
visceral humana se mantém elevada e em expansão pelo País. Portanto é
ineficaz", enfatiza. E acrescenta: "Além disso, a eliminação de
animais ainda se presta a desviar o verdadeiro foco da questão, que é
o combate ao vetor, responsável pela transmissão da doença".

Para evitar que os cães sejam infectados, a solução é preveni-los.
"Por isso, após diversos estudos, concluímos que o encoleiramento em
massa dos cães é a melhor solução para evitar com que fiquem doentes.
Com essa medida, haverá uma consequente diminuição da incidência de
casos de leishmaniose canina e também no número de eutanásias",
ressalta Vanice.

Diversos estudos nacionais e internacionais comprovam a eficácia da
coleira impegnada com deltametrina como uma das ferramentas que
auxilia na prevenção da leishmaniose. Além deste benefício, a
presidente da UIPA enumera que, com o encoleiramento, haverá uma
melhor relação custo X benefício para o governo e à população, por ser
uma medida mais barata aos cofres públicos. "Além de ter mais
efetividade, o governo gastará menos dinheiro com a compra das
coleiras do que matando os cães infectados, atitude que, além de cara
é ineficaz", argumenta.

Para finalizar, Vanice Orlandi informou que as autoridades do
Ministério da Saúde anunciaram uma campanha publicitária abrangente de
conscientização sobre prevenção à leishmaniose, que deve atingir todo
o país. "De nada adianta fazermos um programa de encoleiramento se as
pessoas não adotarem outras atitudes simples para ajudar a combater a
doença, como, por exemplo, a limpeza de quintais com a remoção de
fezes e restos de folhas e frutos em decomposição, uma vez que o
mosquito que transmite a doença ao cão e ao homem coloca os ovos em
locais ricos em matéria orgânica em decomposição", informa a
presidente da UIPA.

Primeiro passo: o encoleiramento em massa

Para tentar diminuir a incidência da doença nos seres humanos e a
prevalência canina, o Ministério da Saúde, por meio da Portaria
1.426/2008, proíbe o tratamento de cães infectados com medicamentos
humanos. Isso vem impossibilitando os cuidados com os animais, já que
não existem medicamentos veterinários registrados no Brasil, que
viabilizem o tratamento da leishmaniose canina. Com isso, a prevenção
continua sendo a principal arma no controle e combate à leishmaniose.

Como os cães são os principais reservatórios da doença, mesmo que
donos burlem a lei e façam o tratamento, eles continuarão sendo
transmissores. Vale ressaltar que o tratamento do cão elimina os
sintomas, mas não o parasita.

Com o encoleiramento, os cães não serão infectados e, por possuir
efeito inseticida, a coleira ainda ajudará a eliminar o vetor - o
mosquito palha, transmissor da leishmaniose visceral. "O
encoleiramento em grande escala produziria o denominado "efeito
rebanho", que é a extensão de efeito protetor também aos não
encoleirados, reduzindo-se a força de infecção pela barreira imposta
pela coleira", finaliza a presidente da UIPA, Vanice Orlandi.

O início da proposta

Há 10 anos a UIPA trabalha contra a eliminação injustificada de
animais. Desde 2005 à frente da presidência, Vanice Orlandi, ativista
há 18 anos, fez uma pesquisa na literatura existente sobre o controle
da leishmaniose visceral na América Latina e concluiu que o número
crescente de casos verificados e sua expansão por regiões
anteriormente não afetadas colocam em dúvida a eficácia das medidas de
controle empregadas contra a doença como, a eutanásia dos cães
soropositivos.

Com isso, em maio de 2010, Vanice protocolou representação no
Ministério Público Federal solicitando providências contra a
eliminação em massa de cães como medida de controle da Leishmaniose
Visceral, além da implantação de ações eficazes de prevenção da
doença. "Nos cães, a medida preventiva mais eficaz, segundo os estudos
técnicos, é o encoleiramento em massa, com a coleira, impregnada com
deltametrina a 4%, princípio ativo repelente e inseticida, recomendado
pela Organização Mundial da Saúde. Decerto que o encoleiramento
importa em gastos bem menores do que os empregados com a matança, que
é cruel, além de dispendiosa para os cofres públicos", afirma Vanice
Orlandi, advogada e presidente da UIPA.

Além disso, a eliminação de cães soropositivos não vem contendo o
avanço da doença. O deputado Ricardo Tripoli ressalta que a falta de
eficácia das atuais medidas preventivas está prejudicando e matando
não somente animais, mas humanos em todo o País. "Não justifica
continuar fazendo o que comprovadamente é caro, ineficaz e cruel.
Vamos lutar, ao lado da UIPA e de todas as entidades que defendem e
protegem os animais, para sensibilizar o Governo e pedir medidas mais
eficazes, que atinjam todos os Estados; medidas que não incluam a dor
e o sofrimento", garante o parlamentar ambientalista.

Sobre a leishmaniose visceral

A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é uma doença
causada por um parasita - o protozoário Leishmania chagasi - que se
multiplica nas células de defesa do organismo causando alterações
importantes nos rins, fígado, baço e medula óssea. É uma doença que
tem grande importância para a saúde pública por se tratar de uma
zoonose de alta letalidade. Ela é transmitida ao homem e ao cão,
principalmente, através da picada de um mosquito conhecido
popularmente como "mosquito palha". O cão tem um importante papel na
manutenção da doença no ambiente urbano visto que pode permanecer sem
sintomas, mesmo estando doente.

Considerada um problema de saúde pública mundial, segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), a leishmaniose visceral registra
anualmente 500 mil novos casos humanos no mundo com 59 mil óbitos.
Hoje já são 12 milhões de pessoas infectadas no mundo. Quando não
tratada, pode evoluir para óbito em mais de 90% dos casos. É a segunda
doença parasitária que mais mata no mundo, atrás da malária. Na
América Latina, ela já foi detectada em 12 países e, destes, cerca de
90% dos casos acontecem no Brasil, onde, em média, 3.500 pessoas são
infectadas e o número de óbitos é de aproximadamente 200, anualmente.

A doença que até a década de 90 estava concentrada no Nordeste do
país, hoje, está se expandindo para as outras regiões. Por exemplo, as
regiões Norte, Sudeste e Centro Oeste, que na década de 90
representavam menos de 10% do total de casos, passaram a representar
26% do total de casos em 2001 e mais de 52% do total de casos em 2008.

Sobre a UIPA

A UIPA, União Internacional Protetora dos Animais, é uma associação
civil sem fins lucrativos, fundada em 1895, que instituiu o Movimento
de Proteção Animal no País, lutando contra a crueldade e o abandono
que vitimam os animais.

Além do trabalho jurídico e político que realiza na área de proteção
animal, a UIPA abriga cerca de mil e quinhentos animais abandonados,
muitos dos quais foram resgatados pela própria entidade por terem
sofrido maus-tratos. Mais informações: www.uipa.org.br

Mais informações: UIPA - União Internacional Protetora dos Animais
Juliana Miranda - uipasp@uol.com.br
(11) 3313-1475 / 3228-1462 / 7809-1677

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